Marcha das Margaridas na Esplanada dos Ministérios, próximo ao Congresso Nacional (Foto: Gabriel Luiz/G1)
Duas trabalhadoras rurais que participavam da Marcha das Margaridas, no Distrito Federal, morreram entre a noite desta terça-feira (11) e a madrugada de quarta (12).
Ao participar da cerimônia de encerramento da Marcha, no Estádio Mané
Garrincha, a presidente Dilma Rousseff citou as duas trabalhadoras que
morreram e prestou solidariedade às famílias delas. No discurso, ela
citou nome e sobrenome de ambas.
"Cumprimento as margaridas do Sul, do Sudeste, do Centro-Oeste, do
Norte e do Nordeste. As margaridas, extrativistas, pescadoras,
quebradeiras de coco, ribeirinhas, quilombolas e indígenas. As
margaridas trabalhadoras rurais, assentadas da reforma agrária,
agricultoras familiares, que honram a luta da Margarida Alves. Quero
também lamentar aqui o falecimento da Maria Pureza, do Sergipe, e a
Maria Alzenira, do Piauí. Duas margaridas que nos deixaram", disse a
presidente.
Uma das mulheres, identificada pela Contag apenas como "Maria", morava
no Piauí. Ela sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) e chegou a
receber atendimento médico, mas não resistiu.
A confederação informou que a outra vítima veio do Sergipe e se chamava
Maria Rita. De acordo com a Contag, ela sofreu um infarto fulminante e
morreu na concentração das participantes, antes mesmo de ser socorrida.
Até as 19h desta quarta, a entidade não sabia informar o nome completo e
a idade das vítimas.
A Secretaria de Saúde do DF confirmou o atendimento de uma participante
da marcha no Hospital Regional da Asa Norte e disse que a vítima morreu
na unidade. A pasta afirmou não ter informações sobre a identidade da
mulher ou a causa da morte, que só poderá ser confirmada após exame do
Instituto Médico Legal (IML).
Marcha
A Marcha das Margaridas é realizada a cada quatro anos em Brasília. O nome faz referência à líder sindical Margarida Maria Alves, da Paraíba, que morreu assassinada pelo marido na frente dos filhos em agosto de 1983.
A Marcha das Margaridas é realizada a cada quatro anos em Brasília. O nome faz referência à líder sindical Margarida Maria Alves, da Paraíba, que morreu assassinada pelo marido na frente dos filhos em agosto de 1983.
Uma das coordenadoras do movimento, Carmen Foro disse considerar o
evento "um dia para a história do Brasil". "São companheiras com muita
consciência de classe. Mulheres com muita força que vêm de todos os
cantos de um país continental."
O ato reúne manifestantes de todo o país. Na pauta também estão o
combate à pobreza, o enfrentamento à violência contra as mulheres, a
defesa da soberania alimentar e nutricional e a construção de uma
sociedade sem preconceitos, sem homofobia e sem intolerância religiosa.
A quebradeira de coco Irani Alves, do Tocantins, disse participar da
terceira marcha de sua vida em 2015. "Andamos aqui sem cansar. Estamos
aqui para fortalecer nossa luta."
Não foram só mulheres que integraram a marcha. Diretor de sindicato em
uma cidade do interior de Pará, Valdir Lima também defende a luta por
igualdade. "Isso é paridade. Se não fossem as mulheres, não haveria os
homens. Hoje somos todos margaridas", disse..
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